Agosto 30, 2008 às 2:50 am (Incertezas, Paixões, Poesia)
Como é possível que em tão poucos momentos o teu perfume permaneça entranhado em minha blusa decotada… No tecido de minha pele. A clara cor de teus olhos refletida nas lembranças de meu escuro olhar. Teu maldito sorriso branco de dentes perfeitamente alinhados fazendo-me rir à toa dentro dos ônibus lotados. Tua voz, cujo sotaque irritante só me faz lembrar o quão longe estamos, ecoando em meus ouvidos. Tua insistente ausência mostrando-me o quão presente estás em minhas memórias.
Eu preciso que você saiba… Eu preciso que você ouça minha voz alta e clara… Eu preciso…
Então porque não consigo gritar?
1 Comentário
Maio 18, 2008 às 6:09 pm (Artes, Incertezas, Paixões, Poesia, Sorrisos)
Coisa interessante é o tempo…
Os físicos traduzem-no em números,
Os poetas e compositores em suaves versos.
É dita constante universal
Que varia de acordo com cada ser humano
Pois quando os enamorados estão juntos, querem que congele.
Quando estão separados, querem que atinja a velocidade da luz.
Os religiosos fazem contagem regressiva,
E nas sextas-feiras os trabalhadores podem conferir
Que fim da tarde parece nunca querer chegar.
O tempo é o “parabéns à você”
Ou o “um dia a gente se reecontra”
Ele é punhal cravado no peito
E suas cicatrizes.
É bálsamo que refresca.
É nostalgia.
É frenético.
É paciente.
É angustiante.
Ele voa.
Ele se arrasta.
Pulsa com a vida.
Paralisa com a morte.
Pode ser tudo.
Pode ser nada.
É espera.
Expressa-se em rugas
De sorrisos ou de lágrimas
Ele destrói,
Também edifica
É tantos que não pode ser um só.
Deixe um comentário
Abril 20, 2008 às 3:06 am (Amor, Artes, Incertezas, O outro, Paixões, Poesia, Sorrisos)

Meu caro…
Não espero que leia essa carta. Na verdade, eu não desejo que a leia. Se estou derramando-me nestas linhas agora, o faço simplesmente porque necessito extravasar sentimentos… Pensamentos.
Gostaria de agradecer-lhe. Espanta a você? É, a mim também. Jamais imaginei que iria trocar um mero “oi” com sua tão invisível pessoa e agora estou aqui, agradecendo-lhe, nem eu sei bem por que.
Estou confusa. E isso é estranho para alguém como eu.
Minto. Para mim não. Para quem me vê. Há constantes momentos de confusão em minha tão pacífica vida, mas somente eu sei deles. Nem sei o motivo de estar lhe dizendo isso agora. Leve como um breve devaneio entre parênteses e com um emoticon de sorrisinho ao fim.
Bem, eu estava falando que queria agradecer-lhe não é? Então, obrigada.
Você deve estar querendo saber o porquê de eu lhe ser grata. Pois é, eu também.
Viu como sou confusa?
Posso ser a pessoa mais segura em certos momentos, mas por dentro estar me desmanchando em dúvidas e incertezas. Isso faz de mim uma grande mentirosa? Não, prefiro dizer que sou uma boa atriz. Ou não.
O que quero lhe dizer é que não sou segura com palavras. Elas são perigosas, não acha?
Claro, que são! Você não tem que discordar aqui! Afinal, quem está escrevendo sou eu. Se quiser uma réplica, faça o mesmo.
Mas não espere que eu leia.
Eu posso começar a descrever tudo o que estou sentindo, mas quem garante que sua compreensão seja fiel ao que eu pretendo transmitir? Viu? Palavras são perigosas.
Mas são deliciosamente atrativas. Eu sei disso. Sou viciada nelas.
Tanto que troquei mais que um simples “oi” com você.
Não peça para que eu seja direta. A vida não é assim. Ela é feita de curvas perigosas e excitantes. Também sei disso, estou caminhando para uma curva bem fechada. E não sinto medo. Minto. Sinto sim, mas o medo também é parte da vida e não tenho vergonha de dizer isso. Minto. Não gosto que as pessoas saibam quando estou com medo.
Pode ser loucura o que escreverei agora, mas, o que seria da vida sem as belas loucuras humanas?
Obrigada por me fazer sentir assim! Com medo, ansiosa, sei lá! A adrenalina no sangue. Esse frio na barriga, essa expectativa por algo que não vai chegar. A certeza que deixei algo ir embora… Algo que talvez fosse bom pra mim. Não é doloroso sentir isso, apenas me faz lembrar que estou viva e que posso cometer erros. E enquanto vida tiver, sentir essas coisas estranhas por pessoas que chegam sem aviso e de repente ficam, ou vão, mas marcam.
Fui vaga? O que esperava? Eu disse que era confusa. Eu sou uma muitas! É, dentro de mim há tantos que se não prestar atenção jamais saberá para quem está falando. Sou uma caixinha de fantasias.
Sabe, não me importo se minha presença desperta o mesmo em você. Sentimentos são tão individuais. A mim, o que sinto me basta. Se todos pensassem assim, viver seria mais fácil. É o que acho.
Isso deveria ser apenas um bilhete e já vou me estendendo demais. Melhor parar.
A você, deixo um beijo suave sobre os lábios e a sensação de minhas unhas deslizando sobre sua nuca.
No mais, é tudo horizonte.
Verão de 2008.
P.S.: Eu acho que me apaixonaria por você.
3 Comentários