À você…

Meu caro…
Não espero que leia essa carta. Na verdade, eu não desejo que a leia. Se estou derramando-me nestas linhas agora, o faço simplesmente porque necessito extravasar sentimentos… Pensamentos.
Gostaria de agradecer-lhe. Espanta a você? É, a mim também. Jamais imaginei que iria trocar um mero “oi” com sua tão invisível pessoa e agora estou aqui, agradecendo-lhe, nem eu sei bem por que.
Estou confusa. E isso é estranho para alguém como eu.
Minto. Para mim não. Para quem me vê. Há constantes momentos de confusão em minha tão pacífica vida, mas somente eu sei deles. Nem sei o motivo de estar lhe dizendo isso agora. Leve como um breve devaneio entre parênteses e com um emoticon de sorrisinho ao fim.
Bem, eu estava falando que queria agradecer-lhe não é? Então, obrigada.
Você deve estar querendo saber o porquê de eu lhe ser grata. Pois é, eu também.
Viu como sou confusa?
Posso ser a pessoa mais segura em certos momentos, mas por dentro estar me desmanchando em dúvidas e incertezas. Isso faz de mim uma grande mentirosa? Não, prefiro dizer que sou uma boa atriz. Ou não.
O que quero lhe dizer é que não sou segura com palavras. Elas são perigosas, não acha?
Claro, que são! Você não tem que discordar aqui! Afinal, quem está escrevendo sou eu. Se quiser uma réplica, faça o mesmo.
Mas não espere que eu leia.
Eu posso começar a descrever tudo o que estou sentindo, mas quem garante que sua compreensão seja fiel ao que eu pretendo transmitir? Viu? Palavras são perigosas.
Mas são deliciosamente atrativas. Eu sei disso. Sou viciada nelas.
Tanto que troquei mais que um simples “oi” com você.
Não peça para que eu seja direta. A vida não é assim. Ela é feita de curvas perigosas e excitantes. Também sei disso, estou caminhando para uma curva bem fechada. E não sinto medo. Minto. Sinto sim, mas o medo também é parte da vida e não tenho vergonha de dizer isso. Minto. Não gosto que as pessoas saibam quando estou com medo.
Pode ser loucura o que escreverei agora, mas, o que seria da vida sem as belas loucuras humanas?
Obrigada por me fazer sentir assim! Com medo, ansiosa, sei lá! A adrenalina no sangue. Esse frio na barriga, essa expectativa por algo que não vai chegar. A certeza que deixei algo ir embora… Algo que talvez fosse bom pra mim. Não é doloroso sentir isso, apenas me faz lembrar que estou viva e que posso cometer erros. E enquanto vida tiver, sentir essas coisas estranhas por pessoas que chegam sem aviso e de repente ficam, ou vão, mas marcam.
Fui vaga? O que esperava? Eu disse que era confusa. Eu sou uma muitas! É, dentro de mim há tantos que se não prestar atenção jamais saberá para quem está falando. Sou uma caixinha de fantasias.
Sabe, não me importo se minha presença desperta o mesmo em você. Sentimentos são tão individuais. A mim, o que sinto me basta. Se todos pensassem assim, viver seria mais fácil. É o que acho.
Isso deveria ser apenas um bilhete e já vou me estendendo demais. Melhor parar.
A você, deixo um beijo suave sobre os lábios e a sensação de minhas unhas deslizando sobre sua nuca.

No mais, é tudo horizonte.
Verão de 2008.
P.S.: Eu acho que me apaixonaria por você.

3 Comentários

  1. Nary disse,

    Abril 20, 2008 às 6:32 am

    Eu só digo uma palavra ‘NOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSA’

  2. joaobosco disse,

    Abril 22, 2008 às 12:13 am

    Hum!!!! Cholei…..
    JB

  3. Rubian disse,

    Abril 27, 2008 às 5:00 pm

    Caixinha de Fantasias…

    “deixo um beijo suave sobre os lábios e a sensação de minhas unhas deslizando sobre sua nuca.”

    NOOOOOOOOOOOOOOOOSSA[2]

    Adorei.
    Beijos.


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