Tão humano…

Elevou-se.

Descendo ao mais profundo antro de si mesmo.

E quando se viu recoberto daquelas trevas de salvação,

Percebeu que não há nada de superior em contemplar infinitamente

a pureza de um mundo em caos.

Publicado em: on Setembro 11, 2008 at 11:52 pm Deixe um comentário

Identificação

Menina da lua
Que rosto tu tens?
Mostra, esconde…
Chega mas perto, não fujas!
Não temas a vida, querida.
Não deixes que a bruma te cubra.
Corre pelos campos, descalça,
Cabelos ao vento, sorriso no rosto.
É o sol que ilumina seus olhos ou o astro rei que copia teu brilho do olhar?
Menina da lua, menina dos olhos,
A vida ensina, encanta e fascina cada sonho teu.

——————–

Escrito por Emiliana Rosa, uma querida amiga, em uma noite de conversas internéticas…

Publicado em: on Agosto 30, 2008 at 3:16 am Comentários (1)

“Despedir dá febre” (Guimarães Rosa)

Como é possível que em tão poucos momentos o teu perfume permaneça entranhado em minha blusa decotada… No tecido de minha pele. A clara cor de teus olhos refletida nas lembranças de meu escuro olhar. Teu maldito sorriso branco de dentes perfeitamente alinhados fazendo-me rir à toa dentro dos ônibus lotados. Tua voz, cujo sotaque irritante só me faz lembrar o quão longe estamos, ecoando em meus ouvidos. Tua insistente ausência mostrando-me o quão presente estás em minhas memórias.

Eu preciso que você saiba… Eu preciso que você ouça minha voz alta e clara… Eu preciso…

Então porque não consigo gritar?

Publicado em: on at 2:50 am Comentários (1)

Sobre o tempo

Coisa interessante é o tempo…
Os físicos traduzem-no em números,
Os poetas e compositores em suaves versos.
É dita constante universal
Que varia de acordo com cada ser humano
Pois quando os enamorados estão juntos, querem que congele.
Quando estão separados, querem que atinja a velocidade da luz.
Os religiosos fazem contagem regressiva,
E nas sextas-feiras os trabalhadores podem conferir
Que fim da tarde parece nunca querer chegar.
O tempo é o “parabéns à você”
Ou o “um dia a gente se reecontra”
Ele é punhal cravado no peito
E suas cicatrizes.
É bálsamo que refresca.
É nostalgia.
É frenético.
É paciente.
É angustiante.
Ele voa.
Ele se arrasta.
Pulsa com a vida.
Paralisa com a morte.
Pode ser tudo.
Pode ser nada.
É espera.
Expressa-se em rugas
De sorrisos ou de lágrimas
Ele destrói,
Também edifica
É tantos que não pode ser um só.
Publicado em: on Maio 18, 2008 at 6:09 pm Deixe um comentário

À você…

Meu caro…
Não espero que leia essa carta. Na verdade, eu não desejo que a leia. Se estou derramando-me nestas linhas agora, o faço simplesmente porque necessito extravasar sentimentos… Pensamentos.
Gostaria de agradecer-lhe. Espanta a você? É, a mim também. Jamais imaginei que iria trocar um mero “oi” com sua tão invisível pessoa e agora estou aqui, agradecendo-lhe, nem eu sei bem por que.
Estou confusa. E isso é estranho para alguém como eu.
Minto. Para mim não. Para quem me vê. Há constantes momentos de confusão em minha tão pacífica vida, mas somente eu sei deles. Nem sei o motivo de estar lhe dizendo isso agora. Leve como um breve devaneio entre parênteses e com um emoticon de sorrisinho ao fim.
Bem, eu estava falando que queria agradecer-lhe não é? Então, obrigada.
Você deve estar querendo saber o porquê de eu lhe ser grata. Pois é, eu também.
Viu como sou confusa?
Posso ser a pessoa mais segura em certos momentos, mas por dentro estar me desmanchando em dúvidas e incertezas. Isso faz de mim uma grande mentirosa? Não, prefiro dizer que sou uma boa atriz. Ou não.
O que quero lhe dizer é que não sou segura com palavras. Elas são perigosas, não acha?
Claro, que são! Você não tem que discordar aqui! Afinal, quem está escrevendo sou eu. Se quiser uma réplica, faça o mesmo.
Mas não espere que eu leia.
Eu posso começar a descrever tudo o que estou sentindo, mas quem garante que sua compreensão seja fiel ao que eu pretendo transmitir? Viu? Palavras são perigosas.
Mas são deliciosamente atrativas. Eu sei disso. Sou viciada nelas.
Tanto que troquei mais que um simples “oi” com você.
Não peça para que eu seja direta. A vida não é assim. Ela é feita de curvas perigosas e excitantes. Também sei disso, estou caminhando para uma curva bem fechada. E não sinto medo. Minto. Sinto sim, mas o medo também é parte da vida e não tenho vergonha de dizer isso. Minto. Não gosto que as pessoas saibam quando estou com medo.
Pode ser loucura o que escreverei agora, mas, o que seria da vida sem as belas loucuras humanas?
Obrigada por me fazer sentir assim! Com medo, ansiosa, sei lá! A adrenalina no sangue. Esse frio na barriga, essa expectativa por algo que não vai chegar. A certeza que deixei algo ir embora… Algo que talvez fosse bom pra mim. Não é doloroso sentir isso, apenas me faz lembrar que estou viva e que posso cometer erros. E enquanto vida tiver, sentir essas coisas estranhas por pessoas que chegam sem aviso e de repente ficam, ou vão, mas marcam.
Fui vaga? O que esperava? Eu disse que era confusa. Eu sou uma muitas! É, dentro de mim há tantos que se não prestar atenção jamais saberá para quem está falando. Sou uma caixinha de fantasias.
Sabe, não me importo se minha presença desperta o mesmo em você. Sentimentos são tão individuais. A mim, o que sinto me basta. Se todos pensassem assim, viver seria mais fácil. É o que acho.
Isso deveria ser apenas um bilhete e já vou me estendendo demais. Melhor parar.
A você, deixo um beijo suave sobre os lábios e a sensação de minhas unhas deslizando sobre sua nuca.

No mais, é tudo horizonte.
Verão de 2008.
P.S.: Eu acho que me apaixonaria por você.
Publicado em: on Abril 20, 2008 at 3:06 am Comentários (3)

Sobre o meu poeta…

O meu poeta não faz versos Nem gosta muito de escrever
O meu poeta não é poeta
Por que molda palavras
Mas o é porque
Seu espírito é livre.
O meu poeta não se contenta com a lua
O meu poeta quer alcançar o sol
O meu poeta pode alcançar o sol
Porque seu espírito é livre…
E vive tão intensamente
Que assusta um pouco…
Mas meu poeta me encanta
Com seu olhar, com seu toque…
Já disse que meu poeta tem o espírito livre?
Pois é, ele me mostrou
Que eu também tenho
Também posso
Também sou.
Eu aprendi um pouco com seu espírito
Eu apreendi um pouco de seu espírito
Talvez nem seja para sempre.
O meu poeta é meu?
Não importa, hoje sei que é
Depois… Quem sabe?
Eu não,
Afinal, seu espírito é livre
E o meu…
Ah, o meu também é.

Publicado em: on Março 14, 2008 at 1:53 pm Comentários (2)
Tags:

Sobre a magia do teatro…

E a trupe está chegando…
O mundo fica mais colorido,
Os sorrisos mais presentes.
Há um brilho nos olhares
Que diz: a trupe está voltando!
Photobucket

A poesia em nossos corações
Acompanhada do melodioso som
Que encanta a todos os sentidos.
E mais uma vez teremos uma desculpa
Para reunir tanta gente rara num lugar.
Sentir-nos inebriados de tanta magia
A partir de agora,
Porque a trupe está voltando!
Photobucket
É hora de colocar nossas verdadeiras máscaras
Narizes de palhaço, fitinhas nos cabelos,
Pinturas no rosto… Na alma
E esquecer as outras máscaras diárias
Em uma gaveta do armário
Só por uma noite,
Pois a trupe está chegando…
Photobucket
As emoções já afloram pelos poros
E o ritmo das batidas do coração
Já entra no compasso do som que se aproxima
Pedindo para deixar nossa voz
(Tão independente quanto a música
Da trupe que está chegando)
Fazer serenata para a Noiva do Sol
Mais estrelas iluminam o céu
Mais flores perfumam os caminhos
A arte indica a direção
E vamos todos
Recitando a magia da trupe
Que nos reapresentou encantos e confetes
Trupe, que,
Para a fortuna de palhaços e bonecas natalenses,
Está voltando!

http://www.youtube.com/watch?v=9DzvE1BGUlc

Publicado em: on Fevereiro 16, 2008 at 3:25 am Comentários (4)

Na Janela

O sol está se pondo e novamente estou aqui na janela. Olho para o fim da rua esperando ver sua silhueta aparecer contra a luz, já fraca, do sol.
Eu vi em seus olhos. Você prometeu que viria. Eu bem preferia ter ouvido sua voz, mas só de olhar seu sorriso ao longe. Sim, você disse tudo com aquele sorriso. Não tem nada, não. Eu espero. Fico aqui, lendo. Há nuvens ao longe. Talvez chova mais tarde.
Se ao menos eu conseguisse me concentrar
(…)
Já é a terceira vez que mamãe me chama. Diz que devo ajudá-la com o jantar, mas eu sou desastrada demais para isso. Ou talvez eu deva ir. Caso você venha para o jantar, iria provar algo feito por mim… Mas a ansiedade é maior e não consigo parar de olhar para a esquina no fim da rua. A qualquer momento você pode aparecer. E eu posso pedir pra mamãe falar que fui eu quem fiz a salada. Ela iria brigar, mas bastaria um olhar choroso e ela concordaria.
Não antes e dizer o quanto é feio mentir.
(…)
Preciso ir agora. Mamãe já me ameaçou com uma palmada. Não que eu tenha medo… Nem dói mais. Mas não gosto de desobedecer. Você sabe disso. Afinal, foi por isso que terminou não é? E já está escuro, não consigo mais ver a esquina no fim da rua. Nem a lua está brilhando hoje. Acho que vai chover. É melhor que não venha mesmo, poderia ficar doente…
Eu não quero que fique doente.
(…)
Já começo a ouvir o barulho delicado das gotas de água batendo no vidro da janela e o cheiro de terra molhada.
É, tenho certeza. Vai chover muito em meu travesseiro hoje de madrugada.
Publicado em: on Fevereiro 9, 2008 at 3:19 am Comentários (3)

Eu quero é botar meu bloco na rua…

Carnaval… Um período de êxtase coletivo que ocorre uma vez por ano no mês de fevereiro. Inevitável. Precisamos desta sensação louca de liberdade que se apossa de nossa mente consciente. É a necessidade de sentir a adrenalina correndo pelas veias. Um período para se viver as mais desvairadas e inesperadas peripécias, junto de pessoas especiais.
De viajar para uma cidadezinha no litoral do estado. Realizar um percurso que duraria no máximo duas horas e meia, em quase quatro. Com atraso justificado, claro. Também, no meio do caminho o ônibus de repente é parado pela polícia federal, que adentra o veículo com fuzis e ‘caras de mal’, em uma operação especial de combate ao tráfego intermunicipal de drogas e, imaginem só, dois perigosos distribuidores acabam detidos e uma criança levada para o conselho tutelar. Nessas horas, o instinto materno fala que é uma beleza! Tadinho do pirralho…
Com olhos de desbravadoras partir em análise do habitat local. A vontade de fazer contato pacífico, maior do que o desconforto causado por uma tempestade de areia que castigava nossa pele e olhos. E no meio de tantos nativos descobrir que existem mamíferos da família cervidae que usam belos cavanhaques – o que pode se mostrar um belo engodo.
Munir-se com todas as armas – femininas – possíveis e sair em uma caçada noturna. Ver as expectativas sumirem ao perceber que a fauna local era composta, em sua maioria, por uma espécie rara de canis familiaris* cuja alimentação caracterizada pela sucção de mangifera indica**. Porém, nem tudo estava perdido, alguns espécimes de felis catus*** podiam ser encontrados, com muita dificuldade, lógico, mas o esforço sempre valoriza a busca.
Aproveitar uma manhã de sol para realizar um passeio de lancha ao local onde um navio naufragado repousa, lembrando-se de sair logo dali, pois há sempre o perigo de os fantasmas dos tripulantes não gostarem de companhia – hehehehe. Enfrentar o mar revolto para subir no barco, as ondas gigantes causadas por uma tempestade inesperada, o risco de algum amigo cair no mar; “intrometer-se” em uma regata cujo prêmio podia mudar a vida de qualquer um… Ah, e sem esquecer do resgate de um grupo que estava horas – talvez dias – à deriva.
Passar 4 dias ouvindo um incessante mantra baiano e deixar-se levar pelo êxtase de uma dança frenética. Sorrir, preocupar-se. Suportar o calor desértico em um acampamento mínimo. Conhecer pessoas novas, divertir-se junto de outras tão conhecidas…
Enfim, aventurar-se. Mesmo que a ‘droga’ interceptada pelos policiais tenha sido ‘apenas’ loló – e talvez maconha. Que a tempestade de areia não tenha movido nenhuma duna. Que a vida noturna tenha se restrito a festas na praça da cidade. Que só tenhamos conseguido ver o mastro do navio naufragado (que se chama Maria Teresa e afundou na década de 1960). Que a lancha tenha sido um barco de pescador, as ondas água jogadas em um balde e a tempestade apenas respingos, a regata somente alguns amigos se distraindo e o resgate, um reboque de outro barco de pescador.
Pode não ter sido Salvador, ou Recife… Mas foi com pessoas adoráveis e com as quais tudo fica mais colorido.
Afinal, as aventuras, quem realizamos somos nós…
* Cão doméstico/**Manga / *** Gato doméstico

Publicado em: on Fevereiro 7, 2008 at 2:37 am Comentários (3)

Era uma vez…

Há momentos em que a imaginação vaga demais. Onde ela consegue se distanciar do mundo real e mergulhar em outros recheados de possibilidades com as quais se pode brincar.
Devaneios colorem a vida.
Faz com que possamos ser uns e outros.
Por que não experimentar?
Por que não permitir que outras pessoas participem um pouco de meus comportados (ou não) delírios.
E quem nunca delirou na vida?
Afinal, o que seria da vida se não fosse a fantasia?
Bem-vindos…”
Publicado em: on Fevereiro 1, 2008 at 6:16 am Comentários (3)