Elevou-se.
Descendo ao mais profundo antro de si mesmo.
E quando se viu recoberto daquelas trevas de salvação,
Percebeu que não há nada de superior em contemplar infinitamente
a pureza de um mundo em caos.
Elevou-se.
Descendo ao mais profundo antro de si mesmo.
E quando se viu recoberto daquelas trevas de salvação,
Percebeu que não há nada de superior em contemplar infinitamente
a pureza de um mundo em caos.
Menina da lua
Que rosto tu tens?
Mostra, esconde…
Chega mas perto, não fujas!
Não temas a vida, querida.
Não deixes que a bruma te cubra.
Corre pelos campos, descalça,
Cabelos ao vento, sorriso no rosto.
É o sol que ilumina seus olhos ou o astro rei que copia teu brilho do olhar?
Menina da lua, menina dos olhos,
A vida ensina, encanta e fascina cada sonho teu.
——————–
Escrito por Emiliana Rosa, uma querida amiga, em uma noite de conversas internéticas…
Como é possível que em tão poucos momentos o teu perfume permaneça entranhado em minha blusa decotada… No tecido de minha pele. A clara cor de teus olhos refletida nas lembranças de meu escuro olhar. Teu maldito sorriso branco de dentes perfeitamente alinhados fazendo-me rir à toa dentro dos ônibus lotados. Tua voz, cujo sotaque irritante só me faz lembrar o quão longe estamos, ecoando em meus ouvidos. Tua insistente ausência mostrando-me o quão presente estás em minhas memórias.
Eu preciso que você saiba… Eu preciso que você ouça minha voz alta e clara… Eu preciso…
Então porque não consigo gritar?


É hora de colocar nossas verdadeiras máscaras
Narizes de palhaço, fitinhas nos cabelos,
Pinturas no rosto… Na alma
E esquecer as outras máscaras diárias
Em uma gaveta do armário
Só por uma noite,
Pois a trupe está chegando…
As emoções já afloram pelos poros
E o ritmo das batidas do coração
Já entra no compasso do som que se aproxima
Pedindo para deixar nossa voz
(Tão independente quanto a música
Da trupe que está chegando)
Fazer serenata para a Noiva do Sol
Mais estrelas iluminam o céu
Mais flores perfumam os caminhos
A arte indica a direção
E vamos todos
Recitando a magia da trupe
Que nos reapresentou encantos e confetes
Trupe, que,
Para a fortuna de palhaços e bonecas natalenses,
Está voltando!
http://www.youtube.com/watch?v=9DzvE1BGUlc
O sol está se pondo e novamente estou aqui na janela. Olho para o fim da rua esperando ver sua silhueta aparecer contra a luz, já fraca, do sol.
Eu vi em seus olhos. Você prometeu que viria. Eu bem preferia ter ouvido sua voz, mas só de olhar seu sorriso ao longe. Sim, você disse tudo com aquele sorriso. Não tem nada, não. Eu espero. Fico aqui, lendo. Há nuvens ao longe. Talvez chova mais tarde.
Se ao menos eu conseguisse me concentrar
(…)
Já é a terceira vez que mamãe me chama. Diz que devo ajudá-la com o jantar, mas eu sou desastrada demais para isso. Ou talvez eu deva ir. Caso você venha para o jantar, iria provar algo feito por mim… Mas a ansiedade é maior e não consigo parar de olhar para a esquina no fim da rua. A qualquer momento você pode aparecer. E eu posso pedir pra mamãe falar que fui eu quem fiz a salada. Ela iria brigar, mas bastaria um olhar choroso e ela concordaria.
Não antes e dizer o quanto é feio mentir.
(…)
Preciso ir agora. Mamãe já me ameaçou com uma palmada. Não que eu tenha medo… Nem dói mais. Mas não gosto de desobedecer. Você sabe disso. Afinal, foi por isso que terminou não é? E já está escuro, não consigo mais ver a esquina no fim da rua. Nem a lua está brilhando hoje. Acho que vai chover. É melhor que não venha mesmo, poderia ficar doente…
Eu não quero que fique doente.
(…)
Já começo a ouvir o barulho delicado das gotas de água batendo no vidro da janela e o cheiro de terra molhada.
É, tenho certeza. Vai chover muito em meu travesseiro hoje de madrugada.
Carnaval… Um período de êxtase coletivo que ocorre uma vez por ano no mês de fevereiro. Inevitável. Precisamos desta sensação louca de liberdade que se apossa de nossa mente consciente. É a necessidade de sentir a adrenalina correndo pelas veias. Um período para se viver as mais desvairadas e inesperadas peripécias, junto de pessoas especiais.
De viajar para uma cidadezinha no litoral do estado. Realizar um percurso que duraria no máximo duas horas e meia, em quase quatro. Com atraso justificado, claro. Também, no meio do caminho o ônibus de repente é parado pela polícia federal, que adentra o veículo com fuzis e ‘caras de mal’, em uma operação especial de combate ao tráfego intermunicipal de drogas e, imaginem só, dois perigosos distribuidores acabam detidos e uma criança levada para o conselho tutelar. Nessas horas, o instinto materno fala que é uma beleza! Tadinho do pirralho…
Com olhos de desbravadoras partir em análise do habitat local. A vontade de fazer contato pacífico, maior do que o desconforto causado por uma tempestade de areia que castigava nossa pele e olhos. E no meio de tantos nativos descobrir que existem mamíferos da família cervidae que usam belos cavanhaques – o que pode se mostrar um belo engodo.
Munir-se com todas as armas – femininas – possíveis e sair em uma caçada noturna. Ver as expectativas sumirem ao perceber que a fauna local era composta, em sua maioria, por uma espécie rara de canis familiaris* cuja alimentação caracterizada pela sucção de mangifera indica**. Porém, nem tudo estava perdido, alguns espécimes de felis catus*** podiam ser encontrados, com muita dificuldade, lógico, mas o esforço sempre valoriza a busca.
Aproveitar uma manhã de sol para realizar um passeio de lancha ao local onde um navio naufragado repousa, lembrando-se de sair logo dali, pois há sempre o perigo de os fantasmas dos tripulantes não gostarem de companhia – hehehehe. Enfrentar o mar revolto para subir no barco, as ondas gigantes causadas por uma tempestade inesperada, o risco de algum amigo cair no mar; “intrometer-se” em uma regata cujo prêmio podia mudar a vida de qualquer um… Ah, e sem esquecer do resgate de um grupo que estava horas – talvez dias – à deriva.
Passar 4 dias ouvindo um incessante mantra baiano e deixar-se levar pelo êxtase de uma dança frenética. Sorrir, preocupar-se. Suportar o calor desértico em um acampamento mínimo. Conhecer pessoas novas, divertir-se junto de outras tão conhecidas…
Enfim, aventurar-se. Mesmo que a ‘droga’ interceptada pelos policiais tenha sido ‘apenas’ loló – e talvez maconha. Que a tempestade de areia não tenha movido nenhuma duna. Que a vida noturna tenha se restrito a festas na praça da cidade. Que só tenhamos conseguido ver o mastro do navio naufragado (que se chama Maria Teresa e afundou na década de 1960). Que a lancha tenha sido um barco de pescador, as ondas água jogadas em um balde e a tempestade apenas respingos, a regata somente alguns amigos se distraindo e o resgate, um reboque de outro barco de pescador.
Pode não ter sido Salvador, ou Recife… Mas foi com pessoas adoráveis e com as quais tudo fica mais colorido.
Afinal, as aventuras, quem realizamos somos nós…
* Cão doméstico/**Manga / *** Gato doméstico